Sou amante da capacidade que temos como seres humanos de ter consciência da própria mente.

Essas questões sobre as infinitas capacidades da mente sempre me fascinaram, lembro do meu primeiro livro que ganhei de minha avó aos 16 anos, porque ela via minha curiosidade e por ser bastante religiosa me deu de presente esse livro de parapsicologia: a cura pela imposição das mãos do Frei Hugolino

Achei tão fantástico esse livro, porque é escrito a partir da visão pessoal sobre cada teste e experimentos que ele ia fazendo com a mente. 

Acredito que não existe o “certo” ou o “errado” existe o que fazemos e a consequência da nossa ação no mundo em que vivemos.

Fui criado em uma família católica tradicional de cidade pequena, e tive oportunidade de ver muito claro o esforço de meus pais faziam para mostrar seu status e serem aceitos socialmente, e o preço alto que pagavam para isso, minha mãe teve depressão profunda com 42 anos, e acredito que deveria ter como 16 anos.

Vi minha mãe, tentado tirar a vida diversas vezes, isso foi muito forte para mim e para toda família.

Eu olhava nos olhos de minha mãe e não enxergava ela, durante muitos anos foi assim, e este estado serviu de combustível para toda minha força de vontade de entender a mente humana, como é possível chegar aquele estado, como foi que a mente foi levada a esse ponto, eu queria entender, dentro de mim, soava um desejo imenso de buscar compreensão sobre o que estava acontecendo, ao mesmo tempo como filho sentia falta da presença materna, minha revolta foi direcionada em ter minha mãe de volta, precisava encontrar uma saída para dizer a ela como poderia voltar a ter uma vida saudável e poder assumir novamente seu posto de mãe. 

O quadro depressivo durou muitos anos, acho que cerca de 15 ou 20 anos, é difícil dizer ao certo quando começou, mas lembro que convivemos com isso durante muito tempo, ela tomava remédios pesados para dopá-la, impedindo que cometesse atitudes suicidas.

Durante minha busca pelo conhecimento da mente humana, me tornei profissional Coach com 21 anos e passei atender as pessoas, ajudando a criar seu projeto de vida e encontrar seu sonho de vida e acelerar a realização de seus propósitos, em 1 ano atendi mais de 100 clientes e tive a oportunidade de compreender mais a sobre a riqueza da mente humana, e como a mente age de forma semelhante independente de sua classe ou estilo, foi uma vivência super bonita escutar as histórias de vida, propósitos de cada cliente, esse sem dúvida foi um material muito rico de aprendizado para minha biblioteca de estudo sobre a mente humana. 

Logo formado em design de produto e gráfico aos 25 anos, trabalhava da empresa do meu pai, pude conhecer todos os setores, e como tudo funcionava no mundo empresarial e fabril, tive a oportunidade de ver a empresa nascer das intenções e força de vontade de meu pai e tão pouco dinheiro, pois ele estava passando por uma crise financeira. Isso também me deu a chance de entender como criar algo com pouco recurso.

Estive 10 anos trabalhando com ele, dos 17 aos 27 anos, então quando alcançamos uma estabilidade em 2010 já faturávamos cerca de 300mil por mês, e no auge das minhas conquistas econômicas eu tive uma crise existencial.

Em uma viagem de carro, estava dirigindo sozinho, voltando para casa, em um lapso de tempo como se o mundo parasse naquele momento eu vi um caminhão passar por mim, com a logo de um frango feliz da vida, e pensei na puta capacidade que o design gráfico tem de enganar as pessoas parecendo que aquilo é uma coisa tão linda, quando, na verdade, aquele franguinho de feliz não tem nada! Me senti muito mal, aí tive um colapso.

Abandonei a “babilônia” tomei uma decisão de sair da cidade, vendi meu carro e as coisas da casa em que morava e fui viver no Chile aos pés da cordilheira dos Andes, na patagônia chilena em um hashram de espiritualidade, com fundamentos baseados no xamanismo dos povos originários mapuches da região e dos Lakotas da América do Norte. Isso para mim, foi um rito de passagem, pois meu ego foi confrontado ao extremo, saí de todo conforto e status de família de nome em cidade pequena, com escritório próprio, para viver nas montanhas, sem falar espanhol, em meio a pessoas desconhecidas, apenhas com uma maleta de roupas e uma barraca.

Me dei conta que tudo que eu era foi destruído, como castelos falsos de areia sendo se desmoronando, todos os rótulos que havia criado sobre mim, começaram a cair, assim puder ver o ego que construí e tanto defendia sendo destruído. Esse vazio, de não ser mais aquelas máscaras todas, foram também, após muito sofrimento e conflito interno, preenchidas com as compreensões mais lindas que já tive uma sensação de liberdade que dizia: “Agora que você não é ninguém, pode ser o que você quiser”.

Isso me encheu de amor por mim mesmo, e me fez querer conhecer os verdadeiros sentimentos que habitavam em mim, para que se fosse construir uma personalidade nova, então que se parecesse aos sentimentos mais puros que haviam… E assim sigo até hoje buscando a harmonia do que vejo dentro, refletindo para fora, como uma forma de expressar minha alma através das ações do corpo/mente nesta vida.

Hoje honro tudo que aprendi e posso viver o caminho do meio, em equilíbrio com o espiritual e o material, por conhecer os dois lados, acredito que agora posso trilhar com harmonia minha caminhada.

Espero que meu trabalho possa apoiar as pessoas que buscam entender melhor a vida humana, meu objetivo aqui é compartir minha visão com propósito de somar a visão dos demais.

Acredito que ninguém aqui é dono da verdade, todos estamos buscando melhor entendimento sobre “ser humano” e se compartilharmos podemos nos apoiar, já que estamos todos no mesmo barco.

Espero que gostem ! 

Abs, Rafael